Psicodélicos são tema de edição especial da Platô

1 de dezembro, 2021 PLATAFORMA PBPD platô Permalink

Novo número da revista científica da Plataforma Brasileira de Política de Drogas (PBPD) é lançado nesta quarta (01/12); editores Luís Fernando Tófoli e Sandra Lucia Goulart conversam com o público a partir das 19h no jardim do restaurante Al Janiah, em São Paulo, com transmissão ao vivo pelo Instagram 

 

A Plataforma Brasileira de Política de Drogas (PBPD) lança, nesta quarta-feira (01/12), a nova edição de sua revista científica Platô, com o objetivo de iluminar o tema dos psicodélicos. O lançamento será marcado por uma conversa presencial com os editores convidados Luís Fernando Tófoli e Sandra Lucia Goulart, a partir das 19h no jardim do restaurante Al Janiah, em São Paulo, com transmissão ao vivo pelo Instagram @plataformapbpd. A revista impressa será distribuída gratuitamente durante o evento e também ficará disponível para download sem custo no site www.pbpd.org.br

A edição especial ‘Psicodélicos’ da Revista Platô: Drogas e Políticas traz perspectivas inovadoras para a discussão sobre a tão noticiada Renascença Psicodélica. Aqui, a nova onda dos psicodélicos é discutida de forma decolonial e autônoma, a partir de uma visão latino-americana em diversos aspectos: antropológicos, sanitários, históricos, terapêuticos, neurocientíficos e psiconáuticos. Espero que os leitores curtam a brisa tanto quanto senti prazer em co-editar este volume“, convida o editor Luís Fernando Tófoli, psiquiatra.

A antropóloga Sandra Lucia Goulart, também editora, ressalta impactos e benefícios de uma renascença psicodélica: “O renovado interesse pelas pesquisas científicas com essas substâncias mobiliza a indústria farmacêutica, os centros de pesquisa, e envolve demandas da sociedade civil, vindas de minorias sociais e étnicas do mundo todo. Estudos apontam para a eficácia do emprego clínico da ayahuasca, MDMA, psilocibina, LSD, ibogaína e outras substâncias. Quem terá acesso aos medicamentos e tratamentos? Poderíamos vislumbrar um futuro inovador para o renascimento global psicodélico? É possível ampliar as nossas esperanças para as possibilidades da efetivação de uma nova ciência psicodélica, que seja mais democrática, incluindo diferentes tipos de perspectivas e, também, igualmente os agentes  humanos e não humanos?”

A edição conta com cinco artigos, com abordagens que expressam conhecimentos de diferentes áreas científicas e domínios da vida, abarcando também perspectivas culturais diversas. O artigo de Henrique Carneiro apresenta um panorama histórico  da construção de definições sobre psicodélicos desde o início da formação de diversos campos da ciência moderna, mostrando que os estados alucinatórios não envolvem necessariamente manifestações patológicas ou desvios anormais da consciência humana, e sim expressam uma grande relevância cultural. O segundo artigo da edição é uma co-autoria entre a antropóloga Esther Jean Langdon, o indígena e xamã Siona Pablo Maniguaje-Yaiguaje e o fotojornalista Tom Laffay. Com uma proposta narrativa decolonial, os autores enfocam o uso do yagé (ayahuasca) no contexto xamânico dos Siona da região do Putumayo, na Colômbia. A narrativa do xamã Siona, apresentada e interpretada ao longo do texto, mostra que o atual xamanismo Siona do yagé é também uma cosmopolítica. 

Os outros três artigos da Platô Psicodélicos apresentam experiências, resultados e teorias sobre as atuais aplicações dessas substâncias em áreas como a neurociência, a farmacologia, a psicologia e o campo das terapias e conhecimentos autônomos da abordagem de Redução de Danos. Esse conjunto de artigos aborda mais particularmente o movimento que vem sendo designado como um Renascimento Psicodélico, manifesto, num cenário global, principalmente a partir da década de 1990.     

A neurocientista Fernanda Palhano-Fontes apresenta um relato amplo acerca dos resultados atuais de estudos da neurociência e psicofarmacologia sobre os psicodélicos. Ela destaca as principais teorias sobre os tipos de efeitos gerados pelas aplicações destas substâncias, indicando a importância de tais pesquisas para a própria compreensão do funcionamento do cérebro humano. As informações e descrições apresentadas pela autora neste texto estão sendo publicadas no idioma português do Brasil pela primeira vez.   

Já os artigos de Ana Cristhina Maluf, bem como o de Fernando Beserra, Sandro Rodrigues e Daniela Monteiro destacam as experiências e conhecimentos advindos dos empregos autônomos e informais de psicodélicos. Maluf traz uma detalhada descrição dos usos recreativos destas substâncias, desde o contexto da contracultura californiana dos anos sessenta até a atualidade, incluindo o relato sobre diversas outras cenas, como algumas manifestações lúdicas que ocorrem hoje no Brasil. A descrição da autora mostra que há uma longa história dos usos recreativos de psicodélicos, a qual gerou uma cultura composta de saberes, normas e técnicas para o controle dos efeitos destas substâncias pelos seus próprios usuários.      

Os autores do último artigo da edição, Beserra; Rodrigues e Monteiro são integrantes da Associação Psicodélica do Brasil, uma organização sem fins lucrativos que abarca profissionais da área de saúde e demais pessoas ligadas aos usos de psicodélicos. Esse artigo traz uma perspectiva das terapias de integração, da psicologia, aplicadas à área de redução de danos e abusos sobre drogas. Os autores se mostram preocupados em destacar as questões sociais, éticas e de inclusão envolvidas no atual renascimento psicodélico. Aqui, as questões sobre os resultados de descobertas e aplicações terapêuticas com psicodélicos correspondem às reflexões políticas sobre os efeitos de diferentes marcos e legislações regulatórias para os usos destas várias substâncias. Os autores salientam a urgência de se abrir espaço para a efetivação, nesse campo, de terapias mais integrativas que expressem os contextos e demandas específicas de países da América latina.  

Também participam da edição indígenas integrantes do movimento dos artistas Huni Kuin (MAHKU), que foram convidados para elaborar a arte da capa e as ilustrações internas. O MAHKU expressa uma complexa transposição de diferentes códigos, como o deslocamento dos cantos espirituais dos Huni Kuin, ligados ao nixi pae (ayahuasca) para a arte figurativa, com um formato multimídia. Assim, as imagens do MAHKU dialogam com os conteúdos dos artigos, contribuindo, no todo, para a composição de um material que expressa diferentes tipos de linguagens.

Deste modo, a proposta da Platô Psicodélicos é contribuir para ampliar as discussões sobre essas substâncias na atualidade. A edição especial inova ao publicar pela primeira vez, no Brasil, e em português, os resultados das pesquisas mais atuais com psicodélicos. Apresentando uma perspectiva transdisciplinar, destaca o aspecto multifatorial do tema. O conjunto de trabalhos, pesquisas e análises expostas demonstra que os psicodélicos podem tanto auxiliar no tratamento de diferentes patologias quanto trazer benefícios para pessoas saudáveis, ampliando a qualidade de vida a partir de uma concepção de saúde integral. A edição Platô Psicodélicos ao mesmo tempo que ressalta a importância do retorno das pesquisas científicas com essas substâncias, coloca reflexões que apontam para a importância de avanços na construção de ações políticas e terapêuticas mais democráticas, inclusivas, e que considerem o respeito à alteridade humana e, também, à vida e à ação de outros seres e espécies.   

 

 

SOBRE A PBPD

A Plataforma Brasileira de Política de Drogas (PBPD) é uma rede nacional composta por mais de 50 entidades que debate e promove políticas de drogas fundamentadas na garantia dos direitos humanos e em evidências científicas, na redução dos danos produzidos pelo uso de drogas e pela violência associada à ilegalidade de sua circulação, bem como na promoção da educação e da saúde pública.

 

SOBRE OS EDITORES  

Luís Fernando Tófoli é psiquiatra e coordenador do Laboratório de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos (Leipsi) da Unicamp e da Cooperação Interdisciplinar para Pesquisa e Extensão da Ayahuasca (ICARO). É membro do Conselho Consultivo da Plataforma Brasileira de Política de Drogas.

Sandra Lucia Goulart é antropóloga, doutora em Ciências Sociais (Unicamp) e mestre em Antropologia Social (USP). Entre seus temas de pesquisa estão as religiões ayahuasqueiras, políticas de drogas, usos de psicodélicos em diversos contextos culturais. É uma das fundadoras do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos (NEIP) e professora da Faculdade Cásper Líbero, em São Paulo.

 

SERVIÇO

Lançamento da revista Platô #5 (Edição Especial Psicodélicos)
Quando: 01/12, às 19h
Onde: presencial no Al Janiah (R. Rui Barbosa, 269, Bela Vista, São Paulo) + virtual (no Instagram @plataformapbpd)
Download gratuito no site: www.pbpd.org.br

 

INFORMAÇÕES PARA A IMPRENSA

Tatiana Diniz // Coordenação de comunicação da PBPD
(11) 953839717 // [email protected]